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Progresso (# 46)

10.08.09

Ansiamos pelo progresso, achamo-lo indispensável, afirmamos que não poderiamos viver sem ele.

Mãos robóticas fazem mais eficazmente o que outrora mãos humanas faziam; máquinas mais evoluidas aumentam os níveis de produção para valores inimagináveis na época em que o trabalho era realizado por funcionários; novos produtos, novos automóveis mais rápidos e potentes, coisas fúteis mas belas aumentam a nossa qualidade de vida; sistemas informáticos tornam operações outrora complexas e demoradas em acções simples, seguras e rápidas que podemos fazer no conforto dos nosos lares e sem o incómodo da deslocação; redes sociais na net permitem-nos conhecer gente em todo o mundo e comunicar com familia e amigos à distância.

Mas reparem: mãos robóticas ocupam os lugares outrora ocupados por mãos humanas; máquinas mais evoluidas diminuemo número de empregados para valores inimagináveis na época em que o trabalho era realizado por funcionários; novos produtos (de usar e lançar fora), novos automóveis e coisas fúteis mas belas aumentam a poluição; sistemas informáticos tornam operações outrora realizadas por seres humanos em operações em que estes são dispensáveis, e tornam-nos, a nós, que as podemos fazer no conforto e isolamento dos nosos lares e sem o incómodo da deslocação, em coisas anti-sociais e anti-naturais, que deixam de viver no mundo real, construido por moléculas e átomos, e passam a habitar num universo virtual, construido em código binário (zeros e uns!); redes sociais na net permitem-nos parecer que conhecemos pessoas de todo o mundo, quando na verdade nada sabemos sobre quem eles realmente são, e comunicar com os nossos amigos, esquecendo simultâneamante o prazer do contacto físico, da conversa cara a cara, directa e natural.

É esta a outra face da moeda: o desemprego a aumentar, logo, as condições de vida a degradarem-se; os jovens com cada vez menos esperanças num futuro promissor; um mundo cada vez mais poluido, com cada vez menos recuross naturais, um mundo em agonia onde já não se deseja viver; a condição humana a degradar-se, pois a cada dia que passa convivemos cada vez menos, falamos cada vez menos, saimos cada vez menos, contactamos cada vez menos, "saberemos cada vez menos o que é um ser humano".

E a isto chamamos progresso. Deveriamos, portanto, fugir dele? Talvez, mas, na verdade, ele é indidpensável e não podemos viver sem ele.

Tudo na vida tem um preço; só temos que estar dipostos a pagá-lo.

 

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2 comentários

De elisiomartins a 12.08.2009 às 11:05

Não obrigatóriamente , a ciência , a velocidade, o avanço tecnologico não tem que ser ruinoso, compete-nos a nós por o desenvolvimento ao serviço do Homem.
" A voracidade e a ciência, envenenou a alma dos homens, rodeou o mundo com um circulo e fez-nos entrar na miséria. Descobrimos a velocidade, mas prendemo-nos demasiadamente a ela, a mecanização , que traz consigo a abundância , afastou-nos do desejo . A ciência tronou-nos cínicos, e a inteligência duros e brutais. Pensamos demais e sentimos de menos. Temos mais necessidade de espirito humanitário que de mecanização, necessitamos mais de amabilidadee de cortesia que de inteligência, sem estas qualidades ,a vida só pode ser violenta e tudo estará perdido.
Unamo-nos todos! Lutemos por um mundo novo, um mundo sem guerra , que ofereça a todos a possibilidade de trabalharem, que dê á juventude um futuro e salvaguarde os velhos de necessidades. Prometendo estas coisas, gente ambiciosa tomou o poder . Mas mentiu! .Não mantiveram as suas promessas, nem as manterão nunca. Os ditadores dosmeticaram o povo. Combatamos agora para que se cumpra estas promessas. Combatamos por um mundo equilibrado, de ciência e de progresso que conduz todos á felecidade ."
Excerto do discrudo final do Grande ditador de Charlie Chaplin .
Sabes o que acho mais interessante? foi estas afirmações terem sido ditas em 1948 e serem uma realidade nos dias de hoje, no teu texto (2009) continuas a apela igualmente a este tipo de sentimentos quantos mais anos vai a humanidade ter que viver para conseguir acabar com este tipo de afirmações de angustia e de desespero ?

De Eu própria a 12.08.2009 às 11:56

É verdade que dei uma visão um tanto quanto pessimista do mundo contemporâneo. Toda esta evolução não tem que ser ruinosa, mas para isso é preciso primeiro apercebermo-nos do seu grande potencial para o ser. E acredita que levamos um tempo até acordarmos para esse facto; actualmente acredito que estamos no bom caminho: aquele em que o desenvolvimento está ao serviço do Homem e, mais importante, do planeta. Mas ainda temos muito que aprender.

Obrigada por comentares.

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