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Agora reparei que este poema foi escrito um mês antes de ter nascido este blog X)

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... e o site (que eu nem sabia que existia) do Professor Verissimo, levaram-me aqui.

 

E agora tomo a liberdade de colocar no meu blog este poema que achei particularmente bonito.

 

Se eu nunca disse

 

Se eu nunca disse que os teus dentes

São pérolas,

É porque são dentes.

 

Se eu nunca disse que os teus lábios

São corais,

É porque são lábios.

 

Se eu nunca disse que os teus olhos

São d’onix, ou esmeralda, ou safira,

É porque são olhos.

 

Pérolas e ónix e corais são coisas,

E coisas não sublimam coisas.

 

Eu, se algum dia com lugares-comuns

Houvesse de louvar-te,

Decerto que buscava na poesia,

Na paisagem, na música,

Imagens transcendentes

Dos olhos e dos lábios e dos dentes.

 

Mas crê, sinceramente crê,

Que todas as metáforas são pouco

Para dizer o que vejo.

E vejo lábios, olhos, dentes.

 

© Reinaldo Ferreira 


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Triste de quem vive em casa,

Contente com  seu lar,

Sem que um sonho, no erguer de asa,

Faça até mais rubra a brasa

Da lareira a abandonar!

 

Triste de quem é feliz!

Vive porque a vida dura.

Nada na alma lhe diz

Mais que a lição da raiz -

Ter por vida a sepulura.

 

Eras sobre eras se somem

No tempo que em eras vem.

Ser descontente é ser homem.

Que as forças cegas se domem

Pela visão que a alma tem!

 

E assim, passados os quatro

Tempos do ser que sonhou,

A terra será teatro

Do dia claro, que no atro

Da erma noite começou.

 

Grécia, Roma, Cristandade,

Europa - o quatro se vão

Para onde vai toda a idade.

Quem vem viver a verdade

Que morreu D. Sebastião?

 

Fernando Pessoa Heterónimo

Mensagem

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Devagar, o tempo transforma tudo em tempo. 
O ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

Os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

Por si só, o tempo não é nada. 
A idade de nada é nada. 
A eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

Os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
Os instantes do teu sorriso eram eternos.
Os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

Foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"


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Contemplo o lago mudo

Que uma brisa estremece.

Não sei se penso em tudo

Ou se tudo me esquece.

 

O lago nada me diz,

Não sinto a brisa mexê-lo.

Não sei se sou feliz

Nem se desejo sê-lo.

 

Trémulos vincos risonhos

Na água adormecida.

Porque fiz eu dos sonhos

A minha única vida?

 

Fernando Pessoa

 

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